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acreditar que a pedra é de pedra na superfície rugosa
feita de cinza e xisto de níquel e de prata
e que um astro não se apunhala nem mesmo em caso
de saberes que o níquel se sobrepõe ao fogo
acreditar que depois há uma soma das sombras
que ainda vamos a tempo de saber que a cinza é o xisto
que a geografia das mão é um húmus de singular medida
acreditar nessa mistura de animais e pedras
que de repente se evola o negrume de um barco
para que sempre se provoque a combustão de águas
e nunca permanecer num luar que seja de lodo
e nunca assegurar um branco que cegue e que perfure
acreditar na luz e depois dela na mesma luz secreta
um poema basta para acreditar numa pedra incerta

António Carlos Cortez
publicado por RAA às 14:36 | comentar | favorito