CÂNTICO E LAMENTAÇÃO NA CIDADE OCUPADA

9.

Mas há a noite. O estar sozinho
e no entanto acompanhado -- servo de um deus estranho
cumprindo o ritual jamais completo.

Mas há o sono. A lúcida surpresa
de um mundo imaterial e necessário,
com praias onde o corpo se desprende.

Mas há o medo. Há sobretudo o medo.
Fel, rancor, desconhecido apelo,
suor nocturno, rápido suicídio.

Daniel Filipe
publicado por RAA às 19:30 | comentar | favorito