ROSAS

Que abundância de rosas! Todas elas,
Ao penugento arfar da viração,
Sob os mimos da luz, sorrindo estão,
Radiosas como bocas, como estrelas.

Tu que andas, fina e pálida, a colhê-las
Para alindar com pura devoção
Teu oratório, ansioso o coração,
As mais vivas escolhes, as mais belas.

Já encheste, afanosa, duas cestas,
Mas ainda quer's mais! E desbotadas,
Por entre as rosas mil, de essências brandas,

As tuas mãos, translúcidas e lestas
Lembram duas freirinhas maceradas,
Conduzindo ao recreio as educandas.

Eugénio de Castro
publicado por RAA às 15:58 | comentar | favorito