IRONIA

De tanto pensar na morte
Mais de cem vezes morri.
De tanto chamar a sorte
A sorte chamou-me a si.

Deu-me frutos duradoiros,
A paz, a fortuna, o amor.
As musas vieram pôr
Na minha fronte os seus loiros.

Hoje o meu sonho procura
Com saudade a poesia
Dos tempos em que eu sofria.

Que triste coisa a ventura!

Pedro Homem de Melo
publicado por RAA às 12:43 | comentar | favorito