MORDAÇA

Puseram-lhe na boca uma mordaça...

 

Mas o Poeta era Poeta

e tinha que falar.

 

Fez um esforço enorme,

puxou a voz como quem golfa sangue,

e a mordaça soltou-se-lhe da boca.

 

Porém, não era já mordaça:

 

-- Agora,

era um poema a queimar

os ouvidos das turbas inimigas

que, na praça, o tinham querido calar.

 

Sebastião da Gama

publicado por RAA às 15:54 | comentar | favorito