OLIVAIS, COIMBRA

Era de noite e eu pensava

não: era de noite uma outra noite mais antiga do que a narrativa deixa subentender

não: era de noite agora e na hora e eu que me enrolava pensando na morte do meu

                                                                                                                              [corpo

 

não: era de noite àquela hora a alegria

das casas funde-se com um estalido cruel

diante do poema não: quando à garganta vai subir

o primeiro poema informe

 

o pai dormia (uma cidade dormia) não: no meio do Verão

em Coimbra atacado pelo perfume aflitivo das hortênsias ou era

um clic na madeira vendo-se longe o Tovim o Picoto luzes

inverosímeis

 

essa noite é que o miúdo pensava na brevidade de tudo isto

 

Fernando Assis Pacheco

publicado por RAA às 19:55 | comentar | favorito