VELHA GOA

Ó novenas de Goa, ardentes e floridas,

Alma de um tempo morto a envolver todo o altar,

Já nada me dizeis, vozes estremecidas

De um pobre Portugal naufragado além-mar.

 

São ruinarias só, parasitas crescidas

Nos bastiões da muralha e o brasão do solar.

Só chama o Sino de Oiro, entre igrejas caídas,

Ao tigre que dormita e à cobra a rastejar.

 

Dos mortos nem o pó recobrem os moimentos.

Passaram as monções, os grandes sóis, os ventos,

E foi disperso tudo, o nosso pó levado!

 

Uma gota de sangue apenas, nada mais!

Mas em flores ocultas escomnbros do passado,

Índia escarlate! e alarga as raízes imortais.

 

Alberto Osório de Castro

publicado por RAA às 14:35 | comentar | favorito