VENDETA

Um verso escapa

Descaradamente

Do poema que escrevo.

 

Um rumor longínquo

Segreda-me

Que ele espezinha

Os companheiros

Da minha caravana.

 

De repente

Ele projecta-se

No «écran» do meu espanto

Com garras e lábios

Manchados de sangue.

 

Nos meus olhos há imagens feridas.

E numa voz cortante

Blasfema

 

Sou a dor

       o sangue

       a vítima

Dos teus crimes impunes!

Vingo-te à minha maneira.

 

Renego-te

Renegado!...

 

Corsino Fortes

publicado por RAA às 15:22 | comentar | favorito