"Desta perda geral, mágoa comua"

Desta perda geral, mágoa comua

A Sua Majestade dar queria

Um pêsame que fora uma alegria

A ser de minha sogra e não da sua.

 

Se à minha não há morte que a conclua,

À sua crer devemos com fé pia,

Que vestida e calçada ao Céu iria,

Como a minha ao Inferno, nua e crua.

 

E pois, ainda que pobre, eu também entro

Na mágoa universal desta senhora

Que tenho impressa d'alma bem no centro;

 

Estimara que el-Rei fizesse agora

Com que este dó, que trago cá por dentro,

Também se me enxergasse cá por fora.

 

Tomás Pinto Brandão

publicado por RAA às 00:33 | comentar | favorito