DE TÃO PERTO

Chega a doer olhar-te de tão perto

primeiro só tocar o infinito

da distância -- depois em toda a parte

estar por dentro dela em ti -- aí

 

onde a dor de te olhar se fará dia

ou o tempo agora ama e deita carne

de regresso ao imenso sol vazio

que em tudo o que acontece permanece

 

mortal nascente branca -- e água e pura

transparância da ausência mais extrema

por onde morre e nasce enquanto pulsa

em cada veia todo o universo

 

Chega a doer olhar-te de tão perto

ousar a eternidade a tempo aberto

 

Miguel Serras Pereira

publicado por RAA às 00:31 | comentar | favorito