DESCONCERTANTE

Há frescura nos contos infantis,
Há perfumes no ar, rosas primaveris
Nos jardins.
Mas, na Rua, há arcos de palhaça
Por onde passam galgos, -- belos cães do pólo;
O amor e a desgraça,
Mãos pedintes, as mães, com filhinhos ao colo!

Mas, como bola dentro de assobio,
Ou presos na amurada dum navio,
Há olhos na cadeia -- olhando às grades!

-- Porque deixaram livre o manequim
E me prenderam a mim?

Cá fora, os lenços vão molhados de saudades.

Afonso Duarte
publicado por RAA às 23:57 | comentar | favorito