22
Set 11

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Tal como Gramsci e a sua mãe, o único Paraíso que concebo situa-se no coração dos meus.
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14
Set 11

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As bibliotecas públicas não aguentam os nossos livros.
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31
Ago 11

A PALAVRA INESPERADA

do estômago sobe-me a palavra inesperada
entre a língua destravada e o palato força-me
a boca desabusada desesperada
rasteira-me a mão e cai
sobre o papel
estatelada
13-VI-2003 /
/ 10-XII-2005
publicado por RAA às 11:51 | comentar | favorito
06
Jul 11

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escreves escreves escreves escreves
nada do que dizes rompe a superfície do papel
escreves escreves escreves escreves
entre o panache a a autocomiseração
o artifício e a louvaminha
o lacrimejar e a traição
escreves escreves escreves escreves
e tudo quanto escreves escreves escreves
escreves tem o selo de validade para hoje
promoção de último modelo
gravata de saldo
embuste de tablóide
passatempo de televisão
publicado por RAA às 14:36 | comentar | favorito
22
Jun 11

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os dias passam por ele
sem que ele dê pelo passar dos dias por ele

adoece e não sabe que é o fim
abana a cauda e sucumbe
ao tiro no crânio
                  com espanto
à injecção letal
                  em paz

27-I-2003
publicado por RAA às 12:49 | comentar | ver comentários (2) | favorito
15
Jun 11

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As palavras são como as mulheres: há que saber pegar nelas da melhor maneira. O que nem sempre sucede.
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08
Jun 11

UM SOBREVIVENTE DO TARRAFAL

Vejo-o velho
anarquista digno
e austero casaco
abotoado sem
gravata nem
dentes.


Quase pede licença para falar.


Chega-me um
hálito de morte
com a sua voz
sumida. Não me importa
tanto o que diz
nem como o diz.
A figura é tudo.

24-V-2003
publicado por RAA às 12:49 | comentar | favorito
25
Mai 11

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Houve tempo em que julguei não ter tempo para ler.
E a minha máxima ambição foi então a de dispor de tempo para ler.
Uma página por dia.
Uma página de boa prosa.
Uma pauta de sinfonia aquiliniana, um fresco dum vasto painel de Paço
                                                                          [d'Arcos (Joaquim).
Ler, ler, ler -- era só o que eu queria.
Na paragem da Carris, podia ser.
Foi nessa altura que ganhei o hábito de fugir ao almoço.
Para ler, ler, ler.
Voltado para a parede, para não aturar chatos e ler a sós com o meu livro.
Depois, deixei de saber falar.
Cada encontro um contratempo, uma irritação, um aborrecimento.
Ler, ler, leer!
Mas pouco para dizer, e nada para escrever.

30-X-2006
publicado por RAA às 12:48 | comentar | favorito
18
Mai 11

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Fazer nome à custa dos grandes autores é uma forma de parasitismo. Mesmo pelas melhores intenções, por mais satisfatórios que sejam os resultados.
publicado por RAA às 11:51 | comentar | favorito
17
Mai 11

ADUBO

O talento dos autores que estudamos é uma espécie de adubo que nos faz medrar. A nossa pequena notoriedade ganha-se à sua custa.
publicado por RAA às 17:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito