31
Jul 12

UM ENXAME DE MOSQUITOS

Miríades em poalha rebrilhante

Se agrupam ávidos e avançam

Em círculos trémulos

Desenfreadamente divertidos

Uma hora e logo sumidos

No delírio se esgotam zubinando

De pura alegria da morte.

 

Impérios decadentes e arruinados,

Tronos dourados desaparecidos

Na voragem da noite e da lenda, sem deixar traço,

Jamais conheçeram dança tão frenética.

 

Hermann Hesse

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 15:34 | comentar | favorito
05
Jul 12

"-- Aonde vais pela alta noite dentro?"

-- Aonde vais pela alta noite dentro?

-- Encontrar-me com quem me é vida e morte.

-- E não tens medo de sair tão só?

-- Sòzinha? Eu? Se vai comigo o amor!

 

Amaru

(Jorge de Sena)

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06
Jun 12

NA NÉVOA

Como é estranho andar no nevoeiro!

Sòzinha a pedra e a planta,

Uma árvore não vê a outra,

Solidão tanta.

 

Muitos amigos eu tinha

No tempo da vida viva;

Agora que a névoa cai,

De tudo a vista me priva.

 

Nada sabe quem não sabe

Como a treva nos separa

De tudo e todos, tão doce,

Inescapável, avara.

 

Como é estranho andar no nevoeiro!

A vida é solitude -- não adianta.

Ninguém conhece um outro.

Solidão tanta.

 

Hermann Hesse

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 15:26 | comentar | favorito
04
Mai 12

"Vai, se tens de ir -- disse ela. Rezarei"

Vai se tens de ir -- disse ela. Rezarei

para que os deuses te protejam sempre.

E aqui te juro que hei-de renascer

lá onde quer que fiques, meu amor.

 

Dandin

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 14:57 | comentar | favorito
02
Mai 12

NA NÉVOA

Como é estranho andar no nevoeiro!

Sòzinha a pedra e a planta,

Uma árvore não vê a outra,

Solidão tanta.

 

Muitos amigos eu tinha

No tempo da vida viva;

Agora que a névoa cai,

De tudo a vista me priva.

 

Nada sabe quem não sabe

Como a treva nos separa

De tudo e todos, tão doce,

inescapável, avara.

 

Como é estranho andar no nevoeiro!

A vida é solitude -- não adianta.

Ninguém conhece um outro.

Solidão tanta.

 

Hermann Hesse

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 14:53 | comentar | favorito
09
Abr 12

"O abutre devora os mortos"

O abutre devora os mortos

sem ter culpas de assassino.

Come a garça peixe vivo

com ares de asceta divino.

 

poema sânscrito anónimo

 

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 14:34 | comentar | favorito
27
Mar 12

"A praça tem uma torre"

A praça tem uma torre,

a torre tem um balcão,

o balcão tem uma dama,

a dama uma branca flor.

Passou lá um cavaleiro

-- quem sabe porque passou! --

e levou consigo a praça

com sua torre e seu balcão,

com seu balcão, sua dama,

sua dama e sua branca flor.

 

Antonio Machado

 

(Jorge de Sena)

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02
Mar 12

"Ilustre Príncipe, anunciaste ao mundo"

Ilustre Príncipe, anunciaste ao mundo

que baniste a Pobreza de teus reinos.

Cumpre-me pois comunicar que a vil

veio esconder-se em minha humilde casa.

 

poema sânscrito anónimo

(Jorge de Sena)

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23
Fev 12

"Tenho os meus amigos"

Tenho os meus amigos

na minha solidão;

e quando estou com eles

que longe que estão!

 

Antonio Machado

 

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 12:41 | comentar | favorito
02
Fev 12

...

Aquela que na ideia tenho acesa,

de mim não cuida, e a um outro homem quer.

E noutra que não ela é que ele pensa,

e uma outra ainda há que só por mim suspira.

Ao diabo o amor, mais elas, e ele, e eu.

 

Barthrari

 

(Jorge de Sena)

publicado por RAA às 16:47 | comentar | favorito