DA DENSIDADE E DA TRANSPARÊNCIA

Vai-se formando de tudo a densidade

mãos que apertamos olhos fulvos

que algum dia se entornaram verdes

e de tão verdes anémonas sem fundo.

 

E de tudo também a transparência

em breves segundos se insinua

como aqueles corpos que fugindo

o nosso olhar e desejo desabitam.

 

Em desafio ao sol a todas as estrelas

numa ronda de encontro e despedida

vai a roda da vida nos passando.

 

Por mais vigilantes e atentos ao acaso

algo de nós foge com a única promessa

de a luz que vemos não acabar nunca.

 

José Calrlos González, Biofonias

publicado por RAA às 00:41 | comentar | favorito (2)