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Abr 14

P&R - Manuel Alegre

Um poema acontece como ?   É uma toada, uma alteração da respiração, do ritmo cardíaco, por vezes do próprio andar. Não tenho uma atitude voluntarista, não me sento à mesa para escrever. Normalmente, é o poema que se impõe. Se calhar, nos bons poemas, o poeta até participa pouco. É apenas o mediador. Os gregos tinham as musas, Rilke falava do anjo, Lorca do duende: bruxarias...»

 

entrevista a Maria Leonor Nunes, JL #1135, 2.IV.2014

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Dez 13

P&R [pergunta e resposta] -- José Tolentino Mendonça

No entanto, o poema é feito de palavras.  Mas creio que é o silêncio que escreve o poema. As palavras estão lá para o testemunhar. Porque o poema não é a evidência, mas a interrogação, a sugestão, a lacuna, a fenda, a porta entreaberta, a possibilidade de viagem para cá e para lá dele. Nesse sentido, é sempre um sinal transitório, não um vestígio definitivo. O definitivo é justamente onde nos leva. Por isso o endereço do poema é o silêncio.

Entrevista a Maria Leonor Nunes,JL#1127, 11.XII.2013.

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