CRIVO

Para a primeira pedra,
Não tive muro.
Minha roseira ficou sem rosas.
Todo o perfume de minha vida
pairou acima da gravidade.

Veio a segunda. Quebrou na vista.
Meu rosto ágil fez-se profundo.
Sorveu-a, lágrima. Ou estilhaçava
o seio imerso, de bolha dupla.
Transfigurei-a. Foi um salpico
de estrela d'água em minha boca.

Mas a terceira caiu-me dentro.
Só tive sangue para ampará-la.
Felizmente voltou ao sopro
da luz divina que eu respirava.

Adelaide Petters Lessa
publicado por RAA às 14:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito