17
Jan 12

VELHA GOA

Ó novenas de Goa, ardentes e floridas,

Alma de um tempo morto a envolver todo o altar,

Já nada me dizeis, vozes estremecidas

De um pobre Portugal naufragado além-mar.

 

São ruinarias só, parasitas crescidas

Nos bastiões da muralha e o brasão do solar.

Só chama o Sino de Oiro, entre igrejas caídas,

Ao tigre que dormita e à cobra a rastejar.

 

Dos mortos nem o pó recobrem os moimentos.

Passaram as monções, os grandes sóis, os ventos,

E foi disperso tudo, o nosso pó levado!

 

Uma gota de sangue apenas, nada mais!

Mas em flores ocultas escomnbros do passado,

Índia escarlate! e alarga as raízes imortais.

 

Alberto Osório de Castro

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31
Ago 10

CANÇÃO DA VIDA

Dias do passado,
Sonhos a findar,
Coração magoado
Que vai sossegar,
Fica a suspirar
De vos ter lembrado,
Sonhos a findar,
Dias do passado!

Passa o vento irado,
Já troveja o mar.
Coração magoado,
Tempo é de parar.
Deixá-los passar
Nesse vento irado,
Nos trovões do mar.

Nada há-de restar
Do tempo passado
Que te fez sangrar,
Coração magoado.
Quando clarear
Tudo está mudado.
É também mudar,
Coração magoado.

Nada há-de restar.

Alberto Osório de Castro
publicado por RAA às 11:09 | comentar | favorito