20
Nov 11

...

São sombras que passam despidas

caminham sozinhas o laivo das fontes

 

não falam, não bebem, não abrem o céu

passam descalças o estreito caminho

 

muradas, sem nome desossam aos dias

amanham descalças as ervas dos rios

 

sufocam azuis, estaladas de ferida

 

são fodidas à noite como fábricas.

 

Alexandre Nave

publicado por RAA às 23:31 | comentar | favorito
21
Ago 11

...

Casas silvestres na talha das flores

esconsas velhas em cemitérios de aldeia

as cinzas desprendidas aos ventos
varridas nas soleiras das portas

vivas abrem a madeira às cruzes
regressam à memória que as vem morrer.

Alexandre Nave
publicado por RAA às 21:06 | comentar | favorito
26
Out 10

Nos invernos viris os ganchos prendem

3

Rapazes enfezados no ventre da tarde
destroçam os pássaros no riso

lavrados descalços a ronda das casas

fogem dentro da noite escondidos
urinam nos cantos a fome a abrir

apoiam as mãos nos homens sentados
procuram as tetas das mães,

os olhos pardos a chupar moscas.

Alexandre Nave
publicado por RAA às 23:02 | comentar | ver comentários (2) | favorito