A VOZ DO SILÊNCIO

Silenciosa,
A noite calma,
Ó quantas coisas
Me diz à alma!

Cessai, ó fontes
A ladainha;
Deixai a noite
Falar sozinha.

Quanto mistério,
Quanto segredo,
No ar perpassa
Como que a medo...

Ó voz da Noite,
Que comoção!
Como o teu, bate
Meu coração.

E a treva funda,
A treva densa
Tem um martírio
De mágoa imensa.

Treva da vida,
Quem não sofreu?
Ó céu azul
Que escureceu...

Por isso ecoa
Dentro em minh'alma
A voz silente
Da noite calma.

Armando Cortes-Rodrigues
publicado por RAA às 12:51 | comentar | favorito