OS BARCOS NA ERICEIRA

Depois do mar frio, antes dos moinhos brancos
que se debruçam como árvores no caminho
dos pássaros, eu sonhei viver. Plantei uma romãzeira
entre as pontes a caminho do norte e dos canaviais,

quando as esplanadas do Inverno fixavam
recados e pombos perdidos na praça.
Sonhei portanto viver enquanto o plátano mais
frondoso viver. Depois disso, nada suportará

a passagem dos navios, a tempestade em tardes
de Outubro, se aí não puder morrer entretanto.

Francisco José Viegas
publicado por RAA às 16:54 | comentar | favorito