06
Jun 11

VINTE SÉCULOS DE REVOLUÇÃO...

Vinte séculos de revolução
e ainda há fome do pão, que é a poesia.
Quando tento saciá-la, tento em vão:
é meu ritmo perene, noite e dia.

Cristo, quero escutar Teu coração:
pendo a cabeça e escuto-o. Essa agonia
de fazer o poema, essa paixão,
na última Ceia começou. Seria

um de nós... um de nós era suspeito,
um de nós, entre os doze, Te trairia.
E, sob o peso dessa suspeição,

repousei a cabeça no Teu peito.
E esse ritmo de vida que eu ouvia
era o ritmo de fome deste pão.

Jorge de Lima
publicado por RAA às 12:39 | comentar | favorito
07
Dez 10

VINDE, Ó POBRES

Vinde os possuidores da pobreza
Os que não têm nome no século.
Vinde os homens da contemplação.
Vinde os que têm a língua mudada.
Vinde os forasteiros e vagabundos.
Vinde os homens descalços e os que têm
Os olhos cheios de espantos.
Jesus Cristo -- Rei dos Reis
Os vossos pés quer lavar,
O filho do marceneiro
Não vos pode abandonar.

Jorge de Lima
publicado por RAA às 18:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
16
Set 10

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

Lá vem o acendedor de lampiões na rua!
Este mesmo que vem imperturbavelmente
parodiar o Sol e associar-se à Lua
quando a sombra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões e continua
outros mais a acender interminavelmente
à medida que a noite aos poucos se acentua
e a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
ele que doura a noite e ilumina a cidade
talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua:
crenças, religião, amor, felicidade,
como esse acendedor de lampiões na rua!

Jorge de Lima
publicado por RAA às 11:03 | comentar | favorito