17
Nov 10

FESTA

Como o potro jovem quer a égua,
como o fogo em lava quer a água,
como o milhafre ansiando a légua,
como a brasa que queima lá na frágua,

como o mar em vida e sem trégua,
como o vento em fúria e sem mágoa,
assim te quero eu: água e égua --
assim te quero eu: légua e frágua.

Como o vinho que a alma embriaga,
como a dança, os frutos e a festa,
como a sarça que arde viva e lesta,

assim te quero eu: dança e sarça,
em fruto e festa e em vinha e garça --
e assim me quero em potro, mar e vaga.

Manuel Cândido
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11
Nov 10

O POMAR DO TEU NOME

1.

Minha constelação de versos nunca ditos,
que são teus olhos? -- Pomares de rosas,
estrelas que nos beijos eu pressinto...
Pomos onde me afogo como taça.
E nervos de fogo as minhas mãos em teu corpo fugidio.
Sagrei-te numa noite de mar e de maçãs
ao ritmo de futuros prometidos,
e as calçadas incendiaram-se no lugar do teu nome
descobrindo-se.

Manuel Cândido
publicado por RAA às 16:17 | comentar | favorito