09
Out 14

SOLO DE VIOLINO

Se acordo e relembro o que sonho,

Maria, não saias daqui!

-- Que monstro barbudo e bisonho

Em sonhos medonhos eu vi!

Às vezes não lembro o que sonho...

 

A lua fugia do barco

E o barco roçava um salgueiro...

Eu chorei e os sapos do charco

Gritaram! E eu vi o barqueiro

À lua, caindo do barco...

 

A água gemia harmonia

E o barco seguia sem rumo;

À proa, de pedras par'cia

Meu corpo de lívido aprumo.

 

..................................................

 

Às vezes não lembro o que sonho.

Se lembro... não saias, Maria!

Sòzinho parece medonho

Meu sonho de barco sem rumo.

 

Olavo d'Eça Leal,

presença #12,

9 de Maio de 1928

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29
Mai 11

BLEU OUTREMER

Il y a des chansons de mon pays,
-- de pauvres chansons en deuil! --
qui resonnent encore á mon oreille
dans les boulevards á Paris...

Et quoique j'aie un coeur sensible,
je n'ai jamais aimé
ces chansons nostalgiques...
-- Pauvres amours,
qui rôdent autour
de mon âme invisible!...

Oh! sur le pont métalique,
ces yeux qui se perdent
dans un remous!...

Le sauver?!
Pourqui faire?!
-- Laissons mourir le fou!...

Au jardin d'Hiver
J'ai vu les acrobates nus!

Au premier rang:
Jean Cocteau!...

Il y avait de l'eau
salée dan ses yeux francs,
et le souvenir lointain,
anormal,
d'un baiser maritime...

                           Paris, 1926


Olavo d'Eça Leal
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