NÃO HÁ RESPOSTA

-- Vento do mar! -- que conversaste com as estrelas,
Galopando, correndo em desatino,
Conta-vento do mar! -- por que sonhamos,
E o segredo de nosso destino!

Sopras, nas ondas, esculturas vivas,
Efêmeras imagens fugitivas...
Dize-me por que amamos, esquecemos,
E, sobretudo, por que sofremos!

Faze a revelação maravilhosa
De que não é inútil o gemido
De tanta angústia à cata de consolo,
E nem tudo está perdido!

Fala-vento do mar! -- que o mundo, cego,
Não arderá, entregue à própria sorte,
E que a nossa esperança, de tão alta,
Poderá vencer a morte!

Oliveira e Silva
publicado por RAA às 14:22 | comentar | favorito