03
Jul 12

TUDO

Um poema

quase sem palavras

Um esquema

de indefenidos traços

O ecoar de um som

talvez nunca vibrado.

 

Um retrato

feito com o nada disto,

com tudo isto.

 

Saul Dias

publicado por RAA às 16:55 | comentar | favorito
10
Dez 10

SANGUE

Versos
Escrevem-se
Depois de ter sofrido.
O coração
Dita-os apressadamente.
E a mão tremente
Quer fixar no papel os sons dispersos...

É só com sangue que se escrevem versos.

Saul Dias
publicado por RAA às 10:51 | comentar | favorito
12
Set 10

...

O vago, longínquo tom
mudou-se em vivo escarlate.
Mudou-se o acre limão
em bombom de chocolate.

(Que se riam, à vontade,
dos meus olhos sem canseira!
Quem estiver à minha beira
que pressinta o disparate...)

Aquele cinzento é ruivo
como um beijo que faz sangue...
E o silêncio fundo é um uivo...

E o gesto exangue e langue
dá cabriolas... O goivo
para mim é cor de sangue.

Saul Dias
publicado por RAA às 04:19 | comentar | favorito
02
Mar 09

A PALAVRA

Só conheço, talvez, uma palavra.

Só quero dizer uma palavra.

A vida inteira para dizer uma palavra!

Felizes os que chegam a dizer uma palavra!

Saul Dias
publicado por RAA às 00:56 | comentar | favorito
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